quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A legacy of 400 years

Four hundred after his death, Shakespeare still is a world reference to all lovers of literature and dramaturgy, arousing curiosity about his true identity and literary Works carried out throughout the career

Hamlet, Othello, Midsummer Night’s Dream, Romeo and Juliet are only some of creations of the one of the greatest playwrights and poets of the world literature history. William Shakespeare was born in 1564 and died in 1616, he wrote throughout of his life approximately 38 theater performances and 154 sonnets besides so many other writings. However, the author arouses doubts as the authorship of his works and his true identity, maybe by working, without losing quality, with literary genres different (comedy, tragedy, and historical pieces), as explains, professor at Universidade Paulista Cielo Festino, or by the human complexity put in  evidence when humans start to question their own existence.

This questioning man, released to knowledge in the Renaissance Period, is who inspired Shakespeare to adapt to the literature the longings that involved conflicts of identity and human existence. Welington Andrade, professor at Cásper Líbero College, tells that the Shakespeare’s contribution to literature was precisely help to shape this renascence man inside of the theater, taking up the old themes of Greek tragedy that inspired his theater performances.

According to professor and director of theater Tchello Ferraz, Shakespeare was important to raise new themes. Romeo and Juliet, for example, deals with love in a different way within the artistic space than it was in the social context whereas love was handled as a merchandise, a marriage portion to be purchased, explains Ferraz. Shakespeare “brought themes [to the theater] that were not spoken and this had a major impact on society”, stands out.

One of the best-known and most acclaimed works of the English bard is Hamlet. Conforming to Ferraz, as well as other Shakespeare’s characters, Hamlet has a conflicting human psychological construct that makes the public identify with a character hero who is not a hero, but human. For him, “Hamlet is not only a story of heroism but of philosophical questions, of reflecting about the essence, which transits between being and having, bringing this context to human reflection and showing that it is natural for humans to have weaknesses, so Shakespeare is admirable in Literature”. The Danish prince is able to organize more clearly than other characters of Shakespeare, explains Andrade, this renascence man of doubt, revenge, conscience, who is studious and intellectual, but who also acts in the ambit of palatial intrigues, of futile problems.

In the Renaissance, as reported by Festino, “the theater was one of the most popular artistic forms of the period because most people could not read" and the themes of the Shakespearean plays were understood by all types of audience, independent of social class. Besides that, explains Andrade, the theater had politician function because it was the place where people debated the public life as was the case in ancient Greece. “The theater in the period of Shakespeare is an extremely popular art, perhaps matching the Greeks at a time when the theater was like a kind of agora, public debate, and people rushed to theaters to discuss public life," says Andrade.

However, Pedro Granato, professor and director of theater, comments that this popularity and communication with public was losing itself over time. For him, the Shakespearean theater, consequently, ended up getting scholarly for people and so the play of a Midsummer Night's Dream, which Granato directs, was thought to be staged in streets and parks with the intention of rescuing the vivacity of Shakespeare's characters and their conflicts, bringing these conflicts to the public to get them into the story.


Shakespeare is not only admired by working with psychological human themes but also by being always actual and complete whereas addresses important themes that represent the society anywhere in the world, says Ferraz. Besides that, explains Granato, “Shakespeare is one of the most referenced writers and with most reinterpreted works of history, by the facility to work with an author who does not offend anyone and, at the same time, constructed plots that allow for numerous montages and interpretations”, because of that the Shakespearean work is very renovated, oxygenated, and transformed by the generations. Four centuries after his death, Shakespeare, as stated by Granato, is considered by many people “one of the most alive authors we have today."

sábado, 19 de abril de 2014

Educação em foco: Franco da Rocha e os problemas da escola

Quando se desce na estação ferroviária de Franco da Rocha encontra-se um grande calçadão onde ficam as principais lojas do centro, as obras ao redor do rio mostram que a cidade está tentando resolver um problema que já existe há muito tempo. Franco da Rocha é conhecida pelas enchentes que ocorrem em épocas de muita chuva, o que demonstra que a cidade enfrenta graves problemas de infraestrutura, mas esse não é o único desafio.
A educação, por exemplo, é um dos maiores problemas apontados pelos docentes que lecionam nesse local.
Com um portão de ferro pintado de azul, já desgastado pelo tempo, a escola pública Maria Aguilar Hernandez, que se localiza no bairro do Jardim dos Reis, esconde um lugar pequeno onde se distribuem 11 salas de aula em dois andares. Há uma cantina com bancos e mesas de concreto, um jardim com muitas plantas e flores vermelhas que exalam um bom perfume, uma caixa d’agua que parece um farol de ilha, a sala de professores, a sala de inspeção e a sala da diretora.
O piso rústico do pátio, um corredor que leva a outras salas e as escadas do piso superior, salas de aula pequenas com lousas, mesas e cadeiras de madeira enfileiradas umas atrás das outras, um cheiro forte de giz que faz espirrar, os desenhos das crianças pintados estão grudados nas paredes, o lugar está vazio, mas dá pra imaginar como seria se as crianças estivessem na classe.
Na hora do intervalo, as crianças gritam, correm, caem, choram, se levantam e correm de novo até a hora do lanche acabar, quando todas elas gritam ao mesmo tempo dando o sinal, como uma sirene, de que está na hora de voltar à aula. Alguns estão tímidos, olham e saem correndo, mas tem o João que diz “Oi” e logo em seguida sai correndo também.
Um prédio vazio, feito de concreto e ferro, pode ser facilmente preenchido com o entusiasmo, gritos e correria das crianças, elas dão vida ao lugar.
Foi nessa pequena escola em meio à gritaria das crianças que a diretora, uma mulher de altura mediana, pele morena, olhos e cabelos escuros aparentando estar nos seus 40 anos chega ao pátio vestindo uma calça jeans, uma blusa preta sem decote que lhe cobre os ombros e uma sapatilha de couro escuro. Ela anda rápido e com firmeza, mas fala devagar, com calma , prestando atenção ao seu redor.
Marilene Freitas é uma dessas pessoas que positivamente enxergam o mundo, ela tem a habilidade de ouvir com atenção os alunos, professores, pais e visitantes, sua atenção é voltada para fazer de onde trabalha um lugar onde todos possam lecionar de maneira mais independente, mas sem perder o foco de ensinar com responsabilidade e respeito.
Sua vida foi marcada por muitos desafios, pois ela tem dislexia, que só descobriu quando já estava no antigo Ensino Médio, mas isso nunca a impediu de seguir adiante e realizar o seu sonho, dar aos alunos aquilo que quando era aluna não teve, atenção e carinho para um problema que poderia ter sido diagnosticado mais cedo se os professores tivessem observado que sua timidez não era motivo de bom comportamento, mas de algo muito mais profundo.
“Eu decidi que queria ser professora quando eu descobri que eu tinha dificuldade na fala, no pensar… Eu vi que lá atrás não foi trabalhado de acordo”, disse Marilene.
Formada em Educação Física e Pedagogia, a educadora é diretora da escola desde 2001, e para ela é evidente que as dificuldades existem, mas é possível contorná-las.
Marilene diz que a escola de hoje não está mais nos moldes da que existia 20 anos atrás, pois antigamente não havia trabalho diferenciado para os alunos, que eram mais copistas do que os de hoje. No entanto, a sociedade atual exige que se trabalhe de acordo com as necessidades dos alunos, pois eles estão mostrando que são diferentes.
“A educação mudou muito, antigamente a educação dos pais era outra, a sociedade era outra, as crianças eram outras, os brinquedos eram outros, isso quer dizer que temos que acompanhar. Mas a escola em si, a carteira é a mesma, a lousa é a mesma… Nós estamos tentando mudar, mas é difícil”, contou.
As crianças são diferentes, porque têm vivências e experiências diferentes, elas vêm de casas, de ruas, de bairros, de cidades e até de estados distintos, portanto carregam histórias de mundos individuais. Diante disso, a escola é o espaço, onde além de aprender os conhecimentos específicos, as crianças aprendem a interagir e respeitar pessoas que não pensam e não agem iguais a elas.
Mas como levar em consideração essa pluralidade cultural e inserir no espaço escolar as vivências dos alunos para formá-los capazes de se respeitarem?
O desafio já começa com a dificuldade dos professores ensinarem essas crianças de regiões diferentes do país.
Marilene diz que “a maior dificuldade que a educação brasileira enfrenta é essa diferença de regiões, a educação é diferente entre as regiões brasileiras, porque a realidade de mundo é muito diferente”.
Além da diretora, um grupo de professoras também deu a sua opinião sobre os problemas que a educação brasileira enfrenta. Para Rosilene Soares, uma das professoras, essa dificuldade também existe.
“As dificuldades estão em alfabetizar com salas superlotadas, alunos com dificuldades de aprendizagem e alunos que vem de outros estados com outros dialetos”, disse Rosilene.
Já para a professora Daniela Fabrette, que também dá aula na escola e já foi diretora, a dificuldade é a organização das políticas públicas, pois orienta os docentes de uma maneira que visa acabar com o analfabetismo, porém não dá subsídios e recursos para isso.
A qualidade do ensino se dá por menores jornadas de trabalho e salários mais dignos, esse também é outro ponto colocado pela professora Elisangela Oliveira, que também leciona na escola. Para ela, a educação brasileira tem suas qualidades, mas poderia melhorar, principalmente, na carga horária.
Outra questão levantada pelas professoras é que, além de melhorar as condições de trabalho, seria necessário ter mais recursos tecnológicos, pois fazem-se muitas propagandas do que se tem na escola, mas os recursos não chegam de fato.
Daniela completa que os entraves que a burocracia da educação pública brasileira possui, causam mais um empecilho para organizar de fato as características do país. Busca-se muito o modelo de educação que não convém com a realidade do Brasil. Se tivéssemos o nosso próprio modelo de educação, levando em conta a cultura e diversidade do país, a educação seria bem melhor.
A diretora Marilene aponta outros problemas que a educação pública enfrenta como, a falta de participação dos pais na vida escolar dos alunos, a organização do espaço escolar (os alunos sentados um atrás do outro, o modo de exposição da matéria com lousa e giz e outras coisas), e as abordagens que a escola faz em relação às dificuldades de aprendizagem que o aluno tem.
“As crianças não aguentam ficar 5 horas em uma sala de aula, sentadas uma atrás da outra, tanto que no intervalo eles correm para lá e para cá, então não adianta falar para eles ficarem quietos que eles não vão ficar, eles têm que soltar a energia que está guardada”, afirma Marilene.
A escola ainda enfrenta a nova configuração da família: muitos são filhos de pais separados, de homens e mulheres do mesmo sexo, de pais ou mães que estão presos, e também há aqueles que são criados pelos avós ou outro parente. Tudo isso deve ser levado em consideração, mas muitas vezes a escola não está preparada para enfrentar esses desafios.
Por essas e outras razões, a professora Rosilene diz que é importante ter na escola outros profissionais como o psicólogo, o fonoaudiólogo, o assistente social, entre outros, pois os problemas refletidos no espaço escolar vêm de fora e esses profissionais poderiam melhorar e muito a qualidade da educação no Brasil.
Embora a diretora e as professoras apontem muitos problemas na educação brasileira, nenhuma delas diz se arrepender de ter escolhido a profissão e demonstram gostar do que fazem.
“Há muitas dificuldades, mas o prazer de ver uma criança alfabetizada me traz muita alegria”, disse a professora Elisangela.

A velha escola e as novas tecnologias

De cada mil alunos, quantos saem do Ensino Médio sabendo ler, escrever ou fazer uma conta?
Uma pergunta como essa seria facilmente respondida por dados estatísticos que são divulgados por sites do governo sobre a educação brasileira. Mas aqui esse não é o objetivo, pois a questão que devemos responder é por quê?
O que se vê claramente é que esses alunos já nasceram na era tecnológica e estão cada vez mais dependentes e conhecedores desses assuntos. Muitas crianças já manuseiam um celular ou um computador melhor do que um adulto.
No campo da sociologia ou da história, em análise mais profunda, é possível chegar à conclusão que novos espaços sociais estão se configurando na esfera pública e privada.
No entanto, a escola que deveria ser espaço de aprendizagem dos alunos está cada vez mais afastada dessa realidade da tecnologia, significa que a escola não está acompanhando essas transformações de espaços físicos e sociais, por causa disso, não desperta mais o interesse dos alunos.
A vida na sociedade atual exige velocidade e dinamismo, com isso as pessoas de hoje estão adquirindo informações com mais velocidade do que a escola está preparada para dar aos seus alunos.
Não se exige mais que alguém saiba digitar bem, que saiba as regras gramaticais da língua portuguesa ou que se saiba fazer uma equação polinomial, mas é necessário que as pessoas saibam navegar na internet, que tenham conhecimentos em Word, Excel e Power Point, que saibam escrever bem, com coerência e coesão ou que saibam fazer contas matemáticas simples. Se as necessidades são outras, por que a escola e seu espaço físico tem que continuar o mesmo? Esse é um dos muitos problemas que a educação pública brasileira precisa enfrentar e resolver ou esse país não irá para frente.

domingo, 16 de junho de 2013

A história que Deus escreveu pra mim

Às vezes muitas pedras surgem pelo caminho/ Mas em casa alguém feliz te espera, pra te amar/ Não, não deixe que a fraqueza tire a sua visão/ Que um desejo engane o teu coração/ Só Deus não é ilusão/ E se por acaso a dor chegar, ao teu lado vão estar/ Pra te acolher e te amparar/ Pois não há nada como o lar.
“Tua Família”- Anjos de Resgate
Sábado. Nove da manhã. Junior está atrasado para a palestra que irá dar na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba que fica na Freguesia do Ó. Excepcionalmente hoje, Junior chegou ao local as dez em ponto, horário que achava que a palestra estava marcada, quando descobriu que estava adiantado e que sua palestra só seria as onze.
O imprevisto permitiu que Junior fosse a padaria tomar um café, pois não tinha conseguido tomar em casa e aproveitou para dar entrevista à jornalista que o acompanhava.
Ao voltar à igreja, Junior é recebido pelos conhecidos com abraços e sorrisos calorosos. Muito humilde, ele apresenta as suas companhias e aguarda para começar a palestra, que acontecerá no salão atrás da paróquia, destinada a 70 jovens.
Antes da palestra começar, uma pequena peça teatral é montada para receber o palestrante, com direito a rainha dos baixinhos e tudo.
Quando Junior é apresentado, um silêncio impera na sala, todos estão ansiosos para ouvir o que ele tem dizer. Junior tem o poder da retórica e suas palavras conseguem alcançar muito mais que os ouvidos das pessoas, conseguem alcançar seus corações.
Junior conta aos jovens como aprendeu a amar seu pai, seu avô, seu bisavô e seu tataravô depois de conhecer a história de vida deles. Ao longo de suas narrações, as próprias experiências de vida e as histórias que seus amigos contam, servem de exemplo para mostrar que a família, muitas vezes, está além dos laços de sangue.
Junior canta e os jovens pensam. Junior canta e os jovens choram. Junior canta e os jovens cantam. Junior canta e os jovens se levantam e abraçam seus pais.
Fui apresentada a Nelson da Silva Pinto Junior na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba pela minha cunhada Daniela. Nelson nasceu em 1980 na Freguesia do Ó, mesmo bairro onde fomos apresentados e onde a história que Deus escreveu para ele começou.
Junior estava com 14 anos, quando foi a essa igreja e recebeu aquilo que classificou como um chamado de Deus. Esse chamado dizia que Junior teria uma missão que se revelaria com tempo. Por meio dele, Deus fundaria uma comunidade com a qual poderia ajudar muitas pessoas.
Aos 21 anos, Junior fundou essa comunidade e lá vive com sua esposa, as duas filhas e outras pessoas que também passaram a fazer parte da família e que, assim como ele, decidiram dedicar a sua vida em prol de ajudar o próximo.
Localizada em Mairiporã, a Comunidade Fala Senhor é um sítio modesto, mas muito acolhedor, que Junior descreve como uma comunidade católica de leigos que vive em função, principalmente, da evangelização das pessoas, mas não só da evangelização, como também de projetos sociais.
Daniela diz que a função da comunidade, pelo que ela participou, é ajudar a pessoa a ter uma intimidade maior com Deus, conversar com ele e desenvolver mais o lado espiritual que hoje se perdeu muito na sociedade.
Há casados e solteiros na comunidade, cada casal tem a sua casa e os solteiros vivem em uma casa masculina ou feminina e cada um tem seu espaço. Todos participam da mesma realidade, pois vivem de doação e compartilham da mesma espiritualidade, a vida não se limita ao espaço familiar, mas se estende a comunidade onde se compartilha o pão em uma grande comunhão.
Além das pessoas que moram na comunidade, há muitos visitantes que buscam auxílio espiritual e que vêm participar dos retiros que ocorrem na comunidade. Os retiros têm como objetivo retirar as pessoas da vida cotidiana para que elas dediquem esse dia para Deus, para refletir, para rever a vida. Esses retiros acontecem a cada 15 dias e é um dia que as pessoas decidem passar com Deus.
Daniela é uma das pessoas que fez alguns retiros na comunidade como, por exemplo, o de cura interior, um retiro feito para pensar no passado, na vida de hoje para trás. Ela diz que o retiro tem uma parte coletiva e uma parte individual.
Em um primeiro momento eles fazem oração em conjunto, são convidados a orar na capela e vão a um lugar tranquilo perto das árvores para reescrever a sua própria história. Em um segundo momento, dá-se continuidade aos sentimentos e lembranças que foram revividos e é feito um atendimento individual para se trabalhar em cima de cada história. Depois disso é feita a partilha para dizer qual parte foi boa e qual foi ruim, mas só compartilham a própria história aqueles que quiserem, pois ninguém é obrigado a nada.
Esse auxílio não é só espiritual, pois Daniela também diz que a comunidade ajuda com trabalhos sociais, embora ela não tenha participado de nenhum nesse sentido.
Atualmente Junior está com um projeto de empresários católicos, onde os empresários aprendem que ser empresário não é só encher o bolso de dinheiro e viver uma vida totalmente omissa de valores das coisas, mas que ame seu trabalho com Deus de forma que trate bem os seus funcionários, pague um salário justo, que atenda bem os seus clientes, que haja com honestidade, pois ele diz que hoje o meio corporativo está muito poluído nesse sentido. Assim, seu objetivo é mostrar aos empresários católicos que é possível fazer essa diferença.
Na mesma época que começou o projeto de formar uma comunidade, Junior conheceu sua esposa Simone e diz que antes mesmo de dar um beijo nela lhe disse sobre o seu chamado que se ela não quisesse aquilo eles já terminariam naquele momento.
Simone estava com 24 anos quando conheceu Junior, formada em Direito, estava trabalhando na área jurídica de uma grande empresa da área da saúde, mas não exercia a advocacia porque não tinha a OAB.
Simone diz que conheceu Junior em uma das pregações dele. Ela acompanhou uma amiga em um grupo de oração onde lá estaria ele e foi onde o encontrou, depois disso não tiveram mais contato, nem amizade, mas 2 anos depois ela o reencontrou, acabaram trocando telefone e começaram a namorar.
Simone diz que assim que pensaram em namorar Junior contou a ela sobre o chamado dele e que se ela quisesse namorar e se chegasse a casar com ele, ela teria que aceitar esse chamado e morar em comunidade de vida com ele. Ela aceitou, embora talvez nem tivesse ideia da dimensão que se tornaria esse chamado.
Para a esposa de Junior, o fato de viver da providência, não ter salário, é difícil, pois não tem uma regra para o descanso, para o lazer, para a cultura, para a educação das crianças, é tudo pela providência. Mas ela acha bonito o trabalho do marido, pois acredita que é importante.
Apesar das dificuldades, Simone não se arrepende de ter feito essa escolha e se pudesse faria mais coisas, ajudaria mais, mas não pode devido à tarefa de cuidar das filhas e de outros afazeres domésticos e da comunidade.
Antes de viver em comunidade católica Junior era gerente comercial e trabalhou em muitas empresas até chegar o momento em que teria que decidir se viveria em comunidade ou continuaria trabalhando fora. Foi aí que optou em consenso com a sua esposa que viveria somente do trabalho na comunidade.
Hoje, Junior faz muitas missões pelo estado e até para fora do estado, ele já foi para Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.
Inclusive foi na Bahia que encontrou uma das histórias que marcaram a sua vida.
Junior conta que foi pregar em uma escola da Bahia e era tudo diferente, porque teria que dar palestra para crianças de 8, 9 e 10 anos de idade, coisa que não estava acostumado.
E no meio da oração, havia um garotinho que chorava compulsivamente ao ponto que tiveram que retirá-lo da sala.  Depois que a oração havia acabado, Junior foi conversar com o garotinho que lhe disse que estava sofrendo muito.
O seu pai tinha sofrido um acidente de moto fazia 6 meses e estava em SP, porque não havia tratamento na Bahia. Por causa do acidente, o pai teria amputado uma das pernas e a mãe teria arrumado outro homem que o garoto era obrigado a chamar de pai. O que mais comoveu Junior foi que garotinho disse que queria a família dele de volta, não só o pai, mas a sua família de volta. Essa é uma das tantas histórias que Junior escuta desde que começou o seu trabalho como missionário.
Já chegaram a dizer ao Junior que ele era louco por largar tudo para viver de doação. Mas diz que depende muito do ponto de vista do que é largar tudo. Para o outro, ele largou tudo, mas para Junior, ele largou o nada para viver o tudo, porque se sente feliz fazendo isso.
Uma vez perguntaram para filha dele na escola o que o pai dela fazia, ela poderia responder um monte de coisas, “meu pai apresenta um programa na TV século 21” ou “o meu pai canta”, mas ela disse: “o meu pai ajuda as pessoas”.
Junior diz que suas filhas não são obrigadas a viver do mesmo jeito que ele, porque elas precisam viver as coisas de criança que são próprias da idade delas.
Por causa disso, Junior não tem dúvida das escolhas que fez e não se arrepende delas, diz que até hoje ele recebe propostas de emprego, mas não se sente atraído por isso, pois quando Deus dá uma missão a alguém ele prepara a pessoa pra isso.
Além de ser missionário, Junior também é cantor e está produzindo seu primeiro CD de evangelização. Trabalha na TV católica pela internet e faz trabalhos para rádio e TV. É assessor de comunicação do bispo da Diocese de Bragança e faz direção do programa do bispo que vai ao ar para mais de 10 rádios. Também chegou a apresentar um programa na TV Século 21 durante 4 anos, mas por motivos administrativos, foi tirado do ar. O programa parece que voltará no próximo semestre e Junior torce para continuar apresentando.
Junior também está escrevendo um livro que se chama “A História que Deus escreveu pra mim”, que não é autobiográfico, mas fala sobre histórias de famílias que encontram no amor de Deus a solução para os seus problemas.
O missionário participa de muitos projetos e tem uma vida bastante ocupada, mas Junior está sempre disposto e pronto a dar uma palavra de apoio, de compreensão e de força. Muitas pessoas deram depoimentos de como encontraram soluções para sua vida com as palavras dele e por isso é tão querido nos lugares onde passa. Pelo menos foi assim quando Junior esteve fazendo uma palestra na Paróquia Santa Cruz de Itaberaba.
As suas palavras sabem alcançar o coração daqueles que ouvem, mas acima de tudo, as suas palavras alcançam as pessoas no que elas mais precisam.

Talvez, ser um missionário, seja mais do que pensamos, pois, ás vezes, está além da nossa compreensão…